Domingo, 29 de Abril de 2007

EXORTAÇÃO

No horizonte eu pintei meu sonho

E lá longe, envolto em névoa

Eu vi-te um dia.

Corri,corri ... Oh! como corri !

E sem forças, lá longe e tão perto,

Como andorinha morri !

publicado por templum às 21:35
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2007

Agosto da minha infância

 

 

Corria uma brisa suave e quente, num fim de tarde de Agosto.

O sol começava a subir o monte de São Silvestre, anunciando o fim da sesta e o princípio da labuta.

Começava-se a ouvir o chilrear dos passarinhos novamente, como que despertando para um novo dia.

As árvores começavam a movimentar-se levemente, como que atordoadas pelo calor dessa tarde.

Os regos da água começavam a ter som, um som refrescante no embate contra as pequenas pedras. A vida voltava.

Por entre as canas, de um verde amarelado do milho, ou das verdes ramadas, começava a vida.

Chapéus de palha apareciam; olhos esbugalhados de gente acabada de acordar, numa tarde quente de Verão. Fora tempo da sesta à sombra de tudo o que protegesse de um sol abrasador. Era, também, o fim da radionovela “Simplesmente Maria”. Hoje a Maria quase tinha beijado o Afonso, mas ficou-se pela intenção, como se quisesse dizer “ amanhã beijo-te”. As mulheres discutiam se iria ou não beijar o Afonso no dia seguinte.

-Se ela o beija é como as outras – dizia a tia Elisa, (vá-se lá saber quem eram as outras).

Nem tiveram tempo de concluir sobre o que iria acontecer no dia seguinte.

 O tio Elias já chamava, irritado pela demora da mulher para vigiar os regos.

 A água era uma dádiva. Não se podia perder gota. Agosto era sinónimo de seca.

_Já vou – gritou a tia Elisa.

_Que raio de homem este, nem se pode falar um bocadinho!

A minha mãe nada dizia. Nos seus pensamentos estava meu pai, lá longe, na procura do pão para a família; os olhos da minha mãe transmitiam a saudade e o querer que ele também ali estivesse e lhe gritasse:

“ _Alice acabou a sesta, anda trabalhar!”

Olhou para mim, sorriu, embora triste e continuou o seu caminho.

Para trás eu tinha deixado a tentativa de bater um novo recorde. Amanhã iria conseguir subir ao máximo o grande carvalho. Era uma árvore centenária, enorme, imponente, que vivia sobre o muro que separava o campo de milho e o souto, onde as mulheres passavam estas tardes quentes a lavar na poça do souto. Enquanto isso, eu e meu irmão corríamos carreiro abaixo, descalços e embalados pela corrida, tentávamos subir ao máximo o castanheiro. Tinha uma cavidade onde eu me metia, onde eu sonhava maravilhado com a linda paisagem da minha aldeia e mais ao longe Mesão Frio.

Minha mãe caminhava com a bacia de roupa à cabeça, eu e o meu irmão seguíamos os seus passos, esperando por ordens. O melhor que me podia calhar era ir regar, o pior era a redra da vinha ou o apanhar feijão no meio do milho. Como detestava isso! As folhas do milho cortavam-me a cara, e com o suor, a comichão invadia-me , o pó da vinha entrava-me no corpo como lâminas.O que eu gostava mesmo era de regar. Gostava do barulho da água, da sua frescura e do cheiro da terra queimada que deixava pelos regos ainda secos. Descalço corria pelos regos acima e abaixo para não perder gota. Deixava-a deslizar suavemente pela horta, pelo milho, por todo o verde que, sequioso, me pedia água.

 Como eu entendia a linguagem das plantas!

_A “meio tufe” – gritava minha mãe de longe - poupa-me a água!

Um dia descobri no meio do milho uma zona muito húmida. Peguei na enxada e escavei. Quanto mais escavava mais húmido ficava.

- Como é possível? -pensava eu.

A poucos metros de profundidade a água brotava. Que alegria! Porém, depois, entrei em pânico… tinha destruído o milho. Já sabia: uma coça era o meu destino.

 Minha mãe aproximou-se, todo o meu corpo tremia. O milho seria a testemunha do meu azar.

Mas não! Minha mãe pegou em mim e beijou-me:

_ Meu filho que maravilha! Esta água vai ser a nossa salvação!

 E foi. Um poço com poucos metros e água pura para beber e regar.

 A partir desse dia comecei a ter frigorífico. Um frigorífico natural, sempre era melhor que a velha mina. Sempre tive medo de ir ao fundo dela buscar água fresca ou colocar o vinho para refrescar para o jantar.

Hoje o poço ainda lá está. O castanheiro, esse, morreu. Mataram-no. Trocaram-no por meia dúzia de cepas de vinha. Com ele morreu um pouco de mim. Mas quem liga a isso?

 

 

 

publicado por templum às 23:02
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Terça-feira, 17 de Abril de 2007

Anoiteceu

E anoiteceu...

Sobre estas quatro paredes,

Sobre as lágrimas que me correm pela face,

Sobre o mar calmo e a maresia,

Sobre o canto dos pássaros,

A noite se instalou.

Ninguém aqui vive

Ninguém aqui está...

Só eu!

Só eu e a noite,

Amigos inseparáveis.

Divinos!

Como o céu e a terra

Num entardecer,

Não há luz.

Não há vozes.

Não há nada !

Só o silêncio...

E tu não estás aqui.

Não me disseste  bom dia amor

Por isso ,anoiteceu !

publicado por templum às 14:46
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2007

O Despertar

 

Bebi no teu peito amor

Todo o carinho do mundo

Todo o néctar da minha vida

O perfume das manhãs

Minha flor

Bebi no teu peito amor

As palavras que utilizo

Nos versos que escrevo

Nas palavras que pronuncio

Que fizeram nascer em mim

Todo o amor

Amor de amar

E pelas tuas mãos carinhosas

Nasceram ideias sucessivas

Onde teu rosto pintei

Bebi no teu peito amor

O néctar para a minha vida

Bebi das tuas mãos amor

Todo o orgulho

Toda a inspiração

Já há muito adormecida.

publicado por templum às 22:30
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Domingo, 8 de Abril de 2007

O Beijo

Tenho nos meus lábios ainda,

O aroma do teu último beijo

Dado na partida, em que partiste.

Tu partiste, mas ganhei-o

Tão intenso ,tão terno e doce

Que dura ainda nos meus lábios,

Tão desejosos d'outro ... de ti.

Tenho ainda nos meus lábios

O aroma do teu último beijo

Duma recompensa na despedida.

E mesmo que quisesses voltar,

E eu não te pudesse receber,

Abriria os braços para te abraçar

E, quietinho, esperaria por outro igual,

Que duraria até a minha vida acabar.

... mas tu partiste e eu fiquei...

Fiquei aqui !

publicado por templum às 22:19
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Domingo, 1 de Abril de 2007

A minha filha


 

Por Ti

 

Por  ti ,  serei  capaz

De  olhar as  estrelas todos  os  dias

E esquecer-me  de  mim.

Por ti , serei  capaz

De  contar todas  as areias do deserto,

Até  ficar louco.

Por  ti , serei  capaz

De  morrer no rio impávido  e  sereno

Que  passa  na  minha  montanha ,  

Mesmo  que  meu  corpo  não desse  à  foz.

A ti…

A  ti  daria  tudo

Farei  tudo  para  te  ter.

A  ti  daria  tudo

O meu amor e o meu Ser.

 

Por ti ,  faria  tudo

Por ti , morreria

Se  tal  fosse  preciso

Mas , … repara, só  por  ti ,

E por mais  ninguém , minha  Filha.

publicado por templum às 17:02
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Elogio do Amor

 


Hoje, pelas escadas íngremes da vida

Alguém segredava palavras,

Palavras que ouvi, amorosas .

Loucos como são, os homens !

Segredam (nada mais escandaloso !)

Amores e palavras amorosas.

Não têm medo, odeiam estas palavras !

Amor, o que é ?

Palavra oca e sem sentido,

Escrita em todos os lugares,

Ditada - em voz ditadora -

Pelos senhores dos púlpitos,

Pela prostituta, nos haréns,

Por todos ... sem sentido.

Se o amor é isto, então basta !

Eu não amo, só lhe ouço o eco

Vindo de longe ...de muito longe !

Ah! Se eu amasse !

Se o mundo fosse amor !

Pobre do homem, pobre de mim

Insignificante e reduzido seria,

Como o sentido desta palavra !

Já está gasta !

Inventem outra

Para os segredos amorosos,

Porque esta já está velha,

De tanto ser usada em nada.

Já não há amor na palavra amo-te !

Já não há amor na palavra AMOR !

publicado por templum às 15:22
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